ADVERSIDADES NA SAFRA
Com queda da safra, produtores de MT cobram socorro e ministro anuncia repactuação de dívidas
AGRICULTURA
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, voltou a cobrar medidas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ajudar os agricultores, que não vão conseguir fechar as contas, já que a produtividade caiu cerca de 20%, enquanto os agricultores viram a cotação da soja despencar.
A produtividade desta safra, para muitos produtores, é inferior até mesmo para cobrir os custos da lavoura. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo de produção da atual safra é de 62 sacas, contudo, a produtividade esperada deve ser de 52,85 sacas. Por outro lado, o preço da saca de soja caiu de R$ 118, no início do plantio, para a casa dos R$ 100, uma queda de cerca de 15%. Se comparado com a cotação do início de 2023, a queda é ainda maior: mais de 35%.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, elencou as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais de Mato Groso
“Essa crise, somada a queda de produção e os preços baixos, fez com que acontecesse algo atípico. Os números do Imea falam em custos de produção em 62 a 63 sacas por hectare. E, tivemos produtores acostumados a colher 70 sacas, que colheram 10, 20, 30 sacas. Diante desses números do Imea, a ‘conta não fecha’, por isso fizemos essa carta ao Mapa”, disse Lucas durante a Show Safra, em Lucas do Rio Verde.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse que o Governo Federal articula implementar a linha dolarizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES e anunciou as perspectivas para repactuação de dívidas de produtores que enfrentaram adversidades na safra. De maio a dezembro, foram disponibilizados mais de R$ 3 bilhões em cerca de 2 mil operações.
“Os investimentos que vencem no ano de 2024 serão prorrogados de acordo com os contratos. Vamos também criar uma normatização para que os custeios dos bancos públicos cumpram as normativas do crédito rural e sejam todos prorrogados de acordo com a necessidade do produtor brasileiro”, completou.
Nos ofícios encaminhados à Secretaria de Política Agrícola do Mapa no dia 26 de janeiro de 2024, e ao Ministro da Agricultura no dia 28 de fevereiro deste ano, a Aprosoja-MT pediu a destinação de R$ 500 milhões para alongamento de dívidas, com taxa de 5,5% ao ano; uma linha de crédito de 1,95 bilhão de dólares, a uma taxa de 5,5% ao ano e outra linha de crédito de R$ 1,05 bilhão para equalização de juros agrícolas.
“Isso colocaria no mercado mais de R$ 40 bilhões e ajudaria nesse crédito, para que esse produtor consiga salvar o seu negócio”, destacou Lucas Costa Beber.
AGRICULTURA
Brasil deve bater recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026
O Brasil está prestes a estabelecer um novo recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026, impulsionado por avanços tecnológicos e gestão eficiente, fortalecendo o agronegócio e a economia.
O Brasil está prestes a alcançar um marco histórico na produção de grãos. O ciclo 2025-2026 promete ser um período de recordes para o agronegócio brasileiro, com uma produção estimada pela Conab em 353 milhões de toneladas para as 16 principais culturas, um aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior. Já o IBGE, utilizando o ano-calendário, projeta 346 milhões de toneladas para 2025.
Essa evolução reflete o potencial do país como um dos maiores produtores de grãos do mundo. O agronegócio brasileiro desempenha um papel crucial na economia nacional, gerando empregos e contribuindo significativamente para o PIB.
Panorama e Contexto Recente
A modernização da produção agro permitiu ganhos expressivos, mas o setor ainda lida com a volatilidade climática e de mercado. Enquanto a tecnologia impulsiona a soja, eventos climáticos adversos e a flutuação de preços têm impactado culturas essenciais para o consumo interno, como o arroz e o feijão.
Projeções para a produção de grãos no ciclo 2025-2026
Embora o volume total seja recorde, o desempenho é heterogêneo entre as culturas. O crescimento é puxado principalmente pela soja, enquanto outras frentes enfrentam desafios de produtividade.
Aqui estão as projeções corrigidas (Base Conab):
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Soja: Expectativa de colheita recorde de 176 milhões de toneladas, com crescimento de 2,7%.
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Milho: Projeção de queda de 1,5% na produção e de 5,3% na produtividade. Apesar do aumento da área plantada, a safra foi castigada por tempestades e granizo no Sul e falta de chuvas em Minas Gerais.
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Arroz: Queda acentuada de cerca de 13% na produção (totalizando 11 milhões de toneladas), motivada por uma redução de 10% na área semeada.
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Feijão: Redução de 0,5%, com produção estimada em 3 milhões de toneladas.
Fatores que influenciam os números
Diferente de uma visão puramente otimista, o cenário para 2025-2026 é de alerta para algumas culturas. Para o arroz e o feijão, o principal fator de desestímulo foi o preço em baixa, que levou produtores a reduzirem a área de cultivo.
No caso do milho, a tecnologia não foi suficiente para anular os efeitos de veranicos e tempestades na região Sul e no Sudeste, demonstrando que a resiliência climática ainda é um desafio central.
Desafios e Impactos Econômicos
Superar gargalos logísticos e as incertezas climáticas é fundamental. A safra recorde, impulsionada pela soja, ajudará na balança comercial e na exportação. Contudo, a queda na produção de alimentos básicos como arroz e feijão exige atenção quanto à estabilidade de preços no mercado interno.
O futuro do agronegócio brasileiro é promissor e os números de 353 milhões de toneladas confirmam a liderança global do país. O sucesso contínuo dependerá da capacidade de equilibrar o avanço das commodities de exportação (soja) com a recuperação das culturas de consumo doméstico, sempre sob a ótica da sustentabilidade e da adaptação climática.
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