Cenário alarmante
Aprosoja contesta previsão de safra recorde de soja em MT
AGRICULTURA
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) questionou, em nota divulgada nesta terça-feira (21) as previsões de safra recorde de soja para o Estado na temporada 2024/25, anunciadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo a entidade, as chuvas intensas têm causado atrasos significativos na colheita, perdas de qualidade nos grãos e dificuldades logísticas que comprometem o desempenho da safra. A Conab projeta uma produção recorde de 46,16 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, enquanto o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em estimativa divulgada em dezembro, apontou para 44,04 milhões de toneladas.
Porém, segundo a Aprosoja-MT, apenas 1,41% da área plantada foi colhida até o momento, uma redução de 11,41% em relação a igual período da safra anterior.O diretor administrativo da Aprosoja-MT, Diego Bertuol, relatou, em nota, que o excesso de chuvas tem impossibilitado a colheita em diversas regiões.
“O cenário é alarmante. Temos mais de 400 milímetros acumulados nos últimos 15 dias, impossibilitando as colheitas dos grãos prontos e também daqueles que já foram dessecados. Temos talhões com mais de 15 dias de dessecados, chegando a 20% de grãos avariados, outros com mais de 30% de umidade indo para o armazém, o que gera desconto de mais de 50% da carga”, disse.
No leste do Estado, após um período prolongado de chuvas, os produtores conseguiram retomar a colheita em algumas áreas. No entanto, segundo a entidade, a qualidade da soja colhida foi severamente afetada, com índices elevados de grãos avariados, em média entre 20% e 25%.De acordo com a Aprosoja-MT, o atraso na colheita também está comprometendo o plantio do milho segunda safra.
Com um intervalo reduzido para o cultivo, os produtores enfrentam o risco de plantar fora da janela ideal, aumentando a vulnerabilidade às condições climáticas adversas. Como já adquiriram sementes, fertilizantes e outros insumos, muitos não têm alternativa senão seguir com o plantio, mesmo em condições desfavoráveis. Além das perdas de qualidade, a Aprosoja-MT destacou problemas logísticos e estruturais.
Segundo o vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, estradas não pavimentadas utilizadas para o escoamento de grãos estão em condições críticas devido às chuvas. A capacidade insuficiente de armazenagem agrava a situação, com formação de filas em armazéns e rejeição de cargas com alto teor de umidade.A Aprosoja-MT alertou ainda para o prolongamento do ciclo da soja devido à alta nebulosidade.
“O ciclo da soja, que chegaria com 110 ou 115 dias pronto para colher, está passando de 125 dias, além do aparecimento de algumas pragas. Isso acarreta uma grande perda da produção. Essa narrativa de safra recorde não se enquadra para esse momento em Mato Grosso”, concluiu Diego Bertuol.
AGRICULTURA
Brasil deve bater recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026
O Brasil está prestes a estabelecer um novo recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026, impulsionado por avanços tecnológicos e gestão eficiente, fortalecendo o agronegócio e a economia.
O Brasil está prestes a alcançar um marco histórico na produção de grãos. O ciclo 2025-2026 promete ser um período de recordes para o agronegócio brasileiro, com uma produção estimada pela Conab em 353 milhões de toneladas para as 16 principais culturas, um aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior. Já o IBGE, utilizando o ano-calendário, projeta 346 milhões de toneladas para 2025.
Essa evolução reflete o potencial do país como um dos maiores produtores de grãos do mundo. O agronegócio brasileiro desempenha um papel crucial na economia nacional, gerando empregos e contribuindo significativamente para o PIB.
Panorama e Contexto Recente
A modernização da produção agro permitiu ganhos expressivos, mas o setor ainda lida com a volatilidade climática e de mercado. Enquanto a tecnologia impulsiona a soja, eventos climáticos adversos e a flutuação de preços têm impactado culturas essenciais para o consumo interno, como o arroz e o feijão.
Projeções para a produção de grãos no ciclo 2025-2026
Embora o volume total seja recorde, o desempenho é heterogêneo entre as culturas. O crescimento é puxado principalmente pela soja, enquanto outras frentes enfrentam desafios de produtividade.
Aqui estão as projeções corrigidas (Base Conab):
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Soja: Expectativa de colheita recorde de 176 milhões de toneladas, com crescimento de 2,7%.
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Milho: Projeção de queda de 1,5% na produção e de 5,3% na produtividade. Apesar do aumento da área plantada, a safra foi castigada por tempestades e granizo no Sul e falta de chuvas em Minas Gerais.
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Arroz: Queda acentuada de cerca de 13% na produção (totalizando 11 milhões de toneladas), motivada por uma redução de 10% na área semeada.
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Feijão: Redução de 0,5%, com produção estimada em 3 milhões de toneladas.
Fatores que influenciam os números
Diferente de uma visão puramente otimista, o cenário para 2025-2026 é de alerta para algumas culturas. Para o arroz e o feijão, o principal fator de desestímulo foi o preço em baixa, que levou produtores a reduzirem a área de cultivo.
No caso do milho, a tecnologia não foi suficiente para anular os efeitos de veranicos e tempestades na região Sul e no Sudeste, demonstrando que a resiliência climática ainda é um desafio central.
Desafios e Impactos Econômicos
Superar gargalos logísticos e as incertezas climáticas é fundamental. A safra recorde, impulsionada pela soja, ajudará na balança comercial e na exportação. Contudo, a queda na produção de alimentos básicos como arroz e feijão exige atenção quanto à estabilidade de preços no mercado interno.
O futuro do agronegócio brasileiro é promissor e os números de 353 milhões de toneladas confirmam a liderança global do país. O sucesso contínuo dependerá da capacidade de equilibrar o avanço das commodities de exportação (soja) com a recuperação das culturas de consumo doméstico, sempre sob a ótica da sustentabilidade e da adaptação climática.
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