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PRODUÇÃO

Industrialização do milho pode ampliar em até três vezes o valor agregado do grão

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AGRICULTURA

Foto: Divulgação

Além de ganhos em sustentabilidade, a industrialização do milho para produção de etanol pode triplicar o valor agregado do grão. Como maior produtor de milho do país e de etanol a partir da commodity, Mato Grosso sai na frente.

“O uso deste milho para produção de combustível sustentável leva a uma valorização do grão, de duas a três vezes, quando industrializado, porque agrega valor ao dar origem a outros subprodutos. Isso estimula a produção de mais milho, e cria um círculo virtuoso, beneficiando a indústria, o comércio e com impacto positivo para o meio ambiente”, comenta Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, na abertura da 1ª Conferência Internacional sobre Etanol de Milho, organizada pela União Nacional do Etanol de Milho e pela DATAGRO, em Cuiabá.

O evento discutiu oportunidades para o setor, com participação da agroindústria do etanol de milho, produtores de cereais e de políticos do Estado e do Congresso Nacional. Ao todo, a conferência reuniu mais de 500 convidados.

O deputado federal Arnaldo Jardim, relator do projeto Combustível do Futuro, aprovado na Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado, integrou um dos painéis. Também participaram outras autoridades, como Pedro Lupion, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, e de representantes da Apex Brasil, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Embrapa, Ministério das Relações Exteriores, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Unicamp, o vice-governador Otaviano Pivetta e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda.

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O Brasil é hoje o segundo maior produtor de etanol de milho do mundo. Desde o início da operação da primeira indústria full deste biocombustível, em 2017, a produção passou de 500 mil litros para 6,27 bilhões de litros na safra 2023/2024, que se encerra este mês. Todo esse potencial vai ao encontro das novas demandas mundiais por combustíveis renováveis e menos poluentes.

De acordo com o presidente-executivo da Unem, Guilherme Nolasco, a cadeia do etanol de milho e cereais está inserida em um círculo virtuoso de investimentos que integra cadeias de grãos, pecuária, floresta e biocombustíveis.

“O Brasil tem hoje uma grande responsabilidade para fornecimento de alimentos e de biocombustíveis, produzidos de forma sustentável e complementar. A cadeia do etanol de milho é um exemplo deste potencial de integração de cadeia produtiva e que ainda tem enorme potencial de crescimento sobre os excedentes exportáveis. Por meio da industrialização do grão produzido em segunda safra, é possível dobrar a produção de etanol nos próximos dez anos e, ao mesmo tempo, contribuir para intensificação da pecuária e ampliação da oferta de alimentos”.

Mato Grosso, que sediou o evento, lidera a produção de etanol de milho entre os Estados brasileiros, com 11 plantas em funcionamento, sendo seis exclusivas de etanol de milho e cereais. “São estes investimentos que vão alavancar a produção de matérias-primas sustentáveis para a produção de bioenergia, que inclui o biodiesel, o etanol, o biometano, e Mato Grosso é um exemplo nesta direção, com integração com soja, com milho de segunda safra, a conversão deste milho em etanol, DDG (grão de destilaria secos – do inglês Dried Distillers Grains), óleo de milho, a transformação da soja em farelo, que vira biodiesel”.

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Em um dos painéis, que abordou os mercados potenciais futuros, o evento discutiu o uso de biocombustíveis na aviação, o chamado Combustível Sustentável para Aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel), e para a navegação. A FS Fueling Sustainability, participante da Conferência, é a primeira indústria do setor a conseguir certificação para produzir o SAF no Brasil e o tema desperta interesse de todo o setor como alternativa de mercado.

“O combustível sustentável de aviação é um dos mercados promissores. Na DATAGRO, estimamos que a demanda por etanol nos próximos anos irá triplicar, o que impõe um senso de urgência muito grande para ampliar a produção de biocombustíveis. Isso está sendo feito sem gerar competição com a produção de alimentos, ao contrário, estimula a produção de mais grãos”, afirma Nastari.

A primeira Conferência Internacional sobre Etanol de Milho contou com o patrocínio de ALD Bioenergia, Dan Power, FS Fueling Sustainability, HPB, ICM, IFF, Inpasa, Lallemand, Neomille, Novonesis, Agrion Fertilizantes, Air & Parts, Benri, Deag, Gemma, OCC, Puro, Startagro, Aprosoja, Caldema e Weg.

 

 

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AGRICULTURA

Brasil deve bater recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026

O Brasil está prestes a estabelecer um novo recorde na produção de grãos no ciclo 2025-2026, impulsionado por avanços tecnológicos e gestão eficiente, fortalecendo o agronegócio e a economia.

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O Brasil está prestes a alcançar um marco histórico na produção de grãos. O ciclo 2025-2026 promete ser um período de recordes para o agronegócio brasileiro, com uma produção estimada pela Conab em 353 milhões de toneladas para as 16 principais culturas, um aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior. Já o IBGE, utilizando o ano-calendário, projeta 346 milhões de toneladas para 2025.

Essa evolução reflete o potencial do país como um dos maiores produtores de grãos do mundo. O agronegócio brasileiro desempenha um papel crucial na economia nacional, gerando empregos e contribuindo significativamente para o PIB.

Panorama e Contexto Recente

A modernização da produção agro permitiu ganhos expressivos, mas o setor ainda lida com a volatilidade climática e de mercado. Enquanto a tecnologia impulsiona a soja, eventos climáticos adversos e a flutuação de preços têm impactado culturas essenciais para o consumo interno, como o arroz e o feijão.

Projeções para a produção de grãos no ciclo 2025-2026

Embora o volume total seja recorde, o desempenho é heterogêneo entre as culturas. O crescimento é puxado principalmente pela soja, enquanto outras frentes enfrentam desafios de produtividade.

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Aqui estão as projeções corrigidas (Base Conab):

  • Soja: Expectativa de colheita recorde de 176 milhões de toneladas, com crescimento de 2,7%.

  • Milho: Projeção de queda de 1,5% na produção e de 5,3% na produtividade. Apesar do aumento da área plantada, a safra foi castigada por tempestades e granizo no Sul e falta de chuvas em Minas Gerais.

  • Arroz: Queda acentuada de cerca de 13% na produção (totalizando 11 milhões de toneladas), motivada por uma redução de 10% na área semeada.

  • Feijão: Redução de 0,5%, com produção estimada em 3 milhões de toneladas.

Fatores que influenciam os números

Diferente de uma visão puramente otimista, o cenário para 2025-2026 é de alerta para algumas culturas. Para o arroz e o feijão, o principal fator de desestímulo foi o preço em baixa, que levou produtores a reduzirem a área de cultivo.

No caso do milho, a tecnologia não foi suficiente para anular os efeitos de veranicos e tempestades na região Sul e no Sudeste, demonstrando que a resiliência climática ainda é um desafio central.

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Desafios e Impactos Econômicos

Superar gargalos logísticos e as incertezas climáticas é fundamental. A safra recorde, impulsionada pela soja, ajudará na balança comercial e na exportação. Contudo, a queda na produção de alimentos básicos como arroz e feijão exige atenção quanto à estabilidade de preços no mercado interno.

O futuro do agronegócio brasileiro é promissor e os números de 353 milhões de toneladas confirmam a liderança global do país. O sucesso contínuo dependerá da capacidade de equilibrar o avanço das commodities de exportação (soja) com a recuperação das culturas de consumo doméstico, sempre sob a ótica da sustentabilidade e da adaptação climática.

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