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Faira perde poder e Secreta passa a ser o ‘cérebro’ do Governo

Reforma administrativa esvazia Secretaria de Governo e fortalece Gabinete do prefeito

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POLÍTICA

Foto: Leandro Trindade

Chamada de “Dama de Ferro” nos bastidores da política, Faira Strapazzon perde parte importante das suas funções e poder dentro da gestão Roberto Dorner. Os decretos municipais 049/2026 e 050/2026 promovem uma reforma administrativa, encolhendo a Secretaria de Governo e Planejamento, liderada por Faira, transmitindo essas atribuições para o Gabinete do prefeito, chefiado por Adilson Kovalski, o “Secreta”.

Os decretos foram publicados no Diário Oficial desta sexta-feira (27). Eles mudam regras dentro da gestão municipal que estavam definidas desde 2024. Até então a Secretaria de Governo centralizava a Comunicação Social, o Planejamento estratégico, os Convênios e a Captação de Recursos. Com a reforma, a pasta de Faira fica apenas com o Planejamento estratégico e com a parte burocrática dos convênios: que é a prestação de contas.

O que Faira perdeu foi para Secreta. O Gabinete do Prefeito assume a partir de agora toda a Comunicação Social da prefeitura, que tem como função “Coordenar o relacionamento institucional entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo Municipal, de forma a viabilizar o apoio da Câmara às demandas e agendas do Poder Executivo Municipal, em face do seu Plano de Governo”. Cabe ao setor promover também a articulação entre o Poder Executivo e a sociedade civil – questões que até então estavam sob a tutela de Faira, desde o primeiro mandato de Dorner. A partir de agora, quem coordena isso é o Secreta.

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O Gabinete do Prefeito também vai centralizar a captação de recursos. Nem a parte do planejamento ficou 100% com Faira. O Gabinete do Prefeito ganhou um Departamento de Gestão de Projetos, que também atuará nesse campo.

Se antes Faira liderava o Governo, com a reforma sua secretaria passa a ser um “apoio operacional”. O “cérebro” da gestão, que dará os comandos, é o Gabinete do Prefeito.

O reflexo da mudança também está no tamanho de cada pasta. Antes a Secretaria de Faira contava com 25 cargos comissionados. Os decretos redefinem a equipe em 15 pessoas. Já o Gabinete do Governo passou de 25 para 36 comissionados. O que Faira perdeu, Secreta ganhou e ainda aumentou mais um.

O comando do dinheiro também já mudou de mão. Na sessão da Câmara de vereadores de Sinop desta segunda-feira (23), foi aprovado extra-pauta, em primeira e única votação o Projeto de lei 14/2026, que remanejou R$ 52 milhões do orçamento municipal para o Gabinete do Prefeito. Esse recurso está vinculado a construção da nova sede administrativa da prefeitura de Sinop. Antes da mudança, esse orçamento passaria pela Secretaria de Governo e Planejamento.

A reforma centraliza no Gabinete do prefeito as funções estratégicas do governo, esvaziando a Secretaria de Faira, que a partir de agora atuará majoritariamente como estrutura de apoio administrativo e operacional.

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Jogo de poder

No primeiro mandato de Roberto Dorner, Faira ocupou os maiores espaços de poder dentro do Executivo municipal, ficando abaixo apenas do próprio prefeito. Ela rivalizava com o Procurador Jurídico da prefeitura de Sinop, Ivan Schneider, que se manteve no cargo comissionado mesmo após a troca de gestão. A queda de braço parecia ter sido vencida por Faira, no final de 2024, quando Ivan anunciou sua saída da Gestão. Faira tentou emplacar um nome para a Procuradoria, mas o escolhido foi Carlos Melgar, mais alinhado com Ivan, que voltou a ter influência dentro da prefeitura através da sua empresa. Seu escritório de advocacia foi contratado pelo município para prestar assessoria jurídica.

No dia 16 de março Ivan retornou ao posto. Dez dias depois, uma reforma administrativa esvaziou o campo de atuação da secretaria que Faira conduz.

O GC Notícias tentou contato com Faira, para saber se a alteração é um prenúncio da sua saída do Governo ou se ela migrará de função, assumindo o cargo de Adilson Kovalski. Até o fechamento da reportagem ela não havia respondido.

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POLÍTICA

‘‘Eu conheço a realidade de Mato Grosso, posso defender com propriedade’’

Rosana Martinelli quer um Congresso forte para frear o Poder Judiciário e representar municípios

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Foto: GC Notícias

“Deus, Pátria e Família”, mas também desenvolvimento econômico, emprego, segurança para as mulheres e uma postura de enfrentamento ao Poder Judiciário, especificamente ao STF. Esses foram os motes principais citados por Rosana Martinelli durante a entrevista concedida ao GC Notícias nesta segunda-feira (14). Uma semana após se desligar do PL e confirmar a sua filiação ao MDB, a ex-prefeita de Sinop e suplente de Senador coloca na rua sua pré-candidatura para deputada federal, mantendo-se na pista da Direita e reforçando que conhece os caminhos de Mato Grosso.

Rosana lembrou que muito antes de atuar na política, ela viveu a formação do Norte do Estado. Foi uma das pioneiras de Sinop, chegando na cidade ainda criança. Depois empreendeu no setor madeireiro, também trabalhou com pecuária e ainda é produtora rural – experienciando a tríade da economia local. “Eu conheço a realidade de Mato Grosso e por isso posso defender o Estado com propriedade. Quando ocorreram as grandes discussões no Senado Federal envolvendo Mato Grosso e o setor produtivo, eu sabia do que estava falando, porque eu conhecia o assunto. Fazia parte da minha realidade”, comentou Rosana.

Ela citou como exemplo os debates em torno das queimadas, quando parte das lideranças políticas e institutos ambientais tentavam responsabilizar os produtores rurais pelos sinistros. “O maior patrimônio do produtor rural é sua fazenda. Ele é quem mais preserva. Ele é o guardião da propriedade rural e das reservas florestais que existem nela”, reforçou a pré-candidata.

O mesmo ocorre quando o assunto são os desmatamentos. “No restante do Brasil o desmatamento é colocado na conta do setor madeireiro. O que não é verdade. É um setor que depende da floresta em pé para trabalhar. Então, quando esses temas surgiram no Senado, tratamos de falar de manejo florestal sustentado e ver a percepção das pessoas sobre o assunto mudando”, afirmou Rosana.

Esse conhecimento da realidade de Mato Grosso também balizou Rosana na discussão dos grandes projetos de infraestrutura, como a implantação de ferrovias no Estado e a duplicação da malha federal. “Logística sempre foi nosso gargalo. Mato Grosso tem um potencial produtivo indiscutível, que gera ainda mais resultado à medida que a indústria se desenvolve. Cito sempre como exemplo a usina de etanol da Inpasa, que conseguimos atrair para Sinop quando eu era prefeita. Além do grande investimento, gerou empregos, negócios e mudou o mercado do milho. Mato Grosso ainda tem muito potencial para avançar nesse sentido, mas para isso um dos pontos necessários é melhorar a logística”, defendeu Rosana.

Quando o Congresso Nacional discutia a implantação de um novo Código Tributário, Rosana estava Senadora. Sua percepção das demandas de Mato Grosso levou ela a apresentar 42 indicações ao projeto de lei. No fim, 8 acabaram sendo absorvidas no texto original. “Sei do meu tamanho. Apesar da minha passagem pelo Senado, ainda não estou pronta para uma eleição desse patamar. Mas quero exercer minha representação política como deputada federal”, comentou.

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Para além do setor produtivo e das questões inerentes ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso, Rosana também se posiciona como uma representante do eleitorado feminino. Durante sua passagem pelo Senado, foi autora de projetos de lei relacionados à segurança da mulher. Como foi o caso da facilitação do porte de arma para mulheres que estão sob medida protetiva. Ela também defendeu intensificar as campanhas e ações para combater a violência contra as mulheres e o acesso gratuito à Justiça para vítimas de violência doméstica e familiar. “Precisa mudar a cultura, entender a posição de insegurança e atuar em defesa das mulheres, que hoje não conseguem confiar na capacidade do Estado de protegê-las. Precisamos mudar isso e uma das formas é garantir que o agressor seja punido e que continue preso. Eu defendo penas mais duras para crimes violentos”, opinou Rosana.

Outra bandeira levantada pela pré-candidata é a representatividade regional. Em sua leitura, o Norte de Mato Grosso, com aproximadamente 900 mil eleitores, tem condições de aumentar sua representatividade política escolhendo candidatos que tem identificação com a região. “Os recursos estão em Brasília. Independentemente de quem esteja na presidência da República, o dinheiro da União tem que chegar até a população e fazer a sua função. Como deputada federal vamos fazer essa ponte. Porque conheço as necessidades, principalmente na saúde e na educação”, apontou.

 

Extensão da Direita

Nos últimos anos Rosana militou em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro, ajudou a fechar rodovia, fez discurso de ordem em cima de pá-carregadeira enrolada na bandeira do Brasil durante os manifestos regionais, teve seus bens bloqueados pelo judiciário e seu passaporte preso. Foi acusada de patrocinar os atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, promoveu diversas ações para fortalecer o PL Mulher. Depois de todo empenho em prol dessa corrente política, na reta final Rosana deixou a sigla e se filiou ao MDB. “Foi um pedido do próprio [Jair] Bolsonaro”, justificou Rosana.

Segundo ela, o PL de Mato Grosso contava com 11 nomes para disputar a eleição de deputado federal – sendo que o partido só poderia lançar 9 candidatos. Rosana acredita que estaria entre os nomes confirmados pelo PL para disputa. No entanto, seria mais difícil viabilizar sua candidatura no partido. Com as mudanças nas regras do coeficiente eleitoral, analistas políticos apontam que o PL deve eleger, no máximo, 3 deputados federais. Rosana poderia estar entre esses 3 ou não. Enquanto isso, no MDB, a projeção é de que o partido eleja um deputado federal. E nesse caso, Rosana é tida como favorita. “São projeções. Mesmo disputando a eleição no MDB, continuo sendo a mesma pessoa, com o mesmo discurso, defendendo as mesmas pautas. A mudança de partido teve a anuência do PL, faz parte de um projeto para atender ao pedido de Bolsonaro, que é eleger o máximo possível de deputados federais e senadores de Direita”, afirmou Rosana.

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Por isso, mesmo correndo pelo MDB, Rosana segue apoiando a candidatura para o governo do Estado de Wellington Fagundes, cacique do PL e seu padrinho político de longa data. Dentro do MDB, a pré-candidatura de Rosana ganhou o apoio declarado da deputada estadual Janaina Riva. “Não perco minhas bases indo para o MDB. Provavelmente ganharei algumas do partido, que recentemente foi esvaziado, com a saída de muitos pré-candidatos”, avaliou.

 

Contrapeso do Supremo

Enquanto alguns analistas entendem o clamor de Bolsonaro para alcançar uma maioria absoluta no Congresso Nacional como uma tentativa de governar o Brasil sem disputar a eleição, Rosana vê como uma medida para reestabelecer os freios e contrapesos dos poderes nacionais. Na sua avaliação, o STF (Supremo Tribunal Federal) tem se tornado absoluto, revisando decisões do Senado, perseguindo a liberdade de expressão e atuando de forma arbitrária, sem responder a ninguém. “O povo não o reconhece. Ninguém votou no Supremo. Por uma questão de equilíbrio dos poderes é preciso que haja um mecanismo que possa conter os abusos do STF, quando estes forem cometidos. Ninguém é o dono da verdade. Quem erra, mesmo se for do judiciário, deve ser afastado”, argumentou Rosana.

Ela também defende um impeachment do ministro Alexandre de Morais – o que possivelmente aconteceria com uma bancada Bolsonarista majoritária no Congresso Nacional. Autora de um dos projetos de lei que previa a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Rosana, vê a atuação da justiça no processo como abusiva, arbitrária e repleta de estranhezas. “Soltaram criminosos e prenderam patriotas. Para alguns, penas arbitrárias de 14 a 17 anos de prisão, pesadas demais; sem sentido. Agora, uma leva de multas, mais de R$ 7,1 bilhões em multas para quem estava com os carros estacionados em Brasília no dia. Para mim o processo todo é muito viciado, com clara perseguição política”, avaliou Rosana.

Na sua visão, um Congresso Nacional identificado à Direita seria capaz de fazer um contrapeso de poder ao Supremo.

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