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Adoção e o poder de mudar vidas: Janete

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Vidas que se cruzam em meio ao dilema da perda das famílias de origem ou da impossibilidade destas continuarem com a criação dos filhos. Pessoas que ganham novas oportunidades de se desenvolverem e crescerem em famílias adotivas. Na segunda matéria da série que a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) do Poder Judiciário de Mato Groso preparou sobre Adoção vamos conhecer a história de vida da advogada e psicóloga, mãe de três filhos e avó de quatro netos. A senhora Janete Gaspar Nogueira. Nascida em família simples no interior de Minas ela foi adotada por uma família de italianos aos quatro anos de vida e hoje tem 67 anos de idade fala um pouco sobre a Adoção.
 
Era 19 de agosto de 1954 em Ituiutaba, interior mineiro. No ano em que o presidente da República, Getúlio Vargas se suicidou, nasceu a menina Janete em meio às dificuldades do pós-guerra mundial. O mundo vivia uma crise do preço internacional do café, além do fator interno, ocasionado pelo aumento do salário mínimo e do custo de vida no país dificultavam a vida dos brasileiros. “Uma senhora via minha mãe passando com vários filhos na frente da casa dela. Ficamos assim por muito tempo. Sendo observados e a fila de filhos só ia crescendo ano após ano, até chegarmos aos nove irmãos. Um dia ela disse à minha mãe que queria adotar uma menina e insistiu por um bom tempo. Certo dia minha mãe estava naquele baixo astral e disse que me daria. Na época não existia os trâmites legais. Era só de boca. Adoção à Brasileira, mas lembro que fizeram um termo de guarda. Os pais daquela que viria a ser minha mãe adotiva eram italianos. Fui crescendo com tios, primos, tive uma boa educação em Uberaba (MG) e aproveitei isso. Fui criada com muito carinho, mas com rédea curta. A minha mãe adotiva dizia: eu não me casei e não quero que me chame de mãe. Pode me chamar de tia. E assim foi. A minha tia me cuidou com o que tinha de melhor. Ela foi muito corajosa. Imaginem uma mulher solteira, naquela época, adotar uma criança, mas ela sempre foi muito independente. Durona, mas ficava com medo de eu visitar minha família de origem e acabar ficando por lá, mas não me impediu que mantivesse um relacionamento com minha mãe biológica e irmãos, nos damos bem”, revela Janete.
 
“Eu não fui agredida, eu não fui rejeitada, não fui relegada. Sou uma privilegiada, pois tive uma família que me acolheu e propiciou oportunidades. Não mexa nas coisas dos outros… dizia minha tia, ela era muito rígida, então eu fui criada dentro dessas bases. Acabei criando meus filhos desse jeito. Ela também me passou valores da tradicional família mineira, tive ensinamentos para ser dona de casa e cuidar da minha família. O que eu amo fazer. Naquela época nós não saíamos de casa era um sistema rígido. Fiz o estudo normal e depois iniciei o Direito. Foi quando conheci meu futuro marido naquela época. Meu grande amor. Que continua me enchendo de orgulho por ser um aguerrido defensor desta causa que ele conhece muito bem e sabe da importância”, dona Janete é esposa do corregedor-geral da Justiça do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que tem envidado esforços para melhorar a Adoção em Mato Grosso. “Sou também mãe da Ângela, do João Neto e da Alice é também avó de quatro crianças. Os mais novos, Lucas (3) e Matheus (7) e os mais velhos, Anthonny (10) e Renato (13). A diferença de idade entre meus filhos é pequena. Tive praticamente trigêmeos (risos). Amo minha família, sei da importância dela em minha vida e de minha existência na vida deles. Convivemos em harmonia e defendemos esta causa que é de puro amor”, declara.
 
Quando a pergunta é o que mudou na sua vida em decorrência da Adoção. A resposta é clara. “Fui a única da minha família biológica que tive essa oportunidade. Fiz faculdade, e isso aumenta nossas chances na vida. Não tive outros irmãos formados. Tínhamos dificuldades de acesso na época. Recebi carinho, limites e orientações. Todas as pessoas precisam disso para se tornarem adultos saudáveis. É preciso um acompanhamento psicológico e disposição para adotar. Mas sempre penso, qual filho não dá trabalho? E todos os pais e mães fazem a criação com muito amor. Nenhuma criança deveria conhecer a miséria, passar fome, por isso digo a quem tem condições de adotar, que não perca tempo. Vai logo, adote, vai atrás, se possível até de dois ou mais. É algo muito bom. Temos grupos de irmãos… mais velhos, as chamadas adoções tardias. As crianças que tem algum tipo de deficiência. Temos várias. Elas estão aí. Eu tenho meus filhos, mas penso, e se eles tivessem alguma diferença física ou intelectual? Eles jamais deixariam de ser meus filhos e vejo que ao pais adotivos pensam assim também. Se a pessoa se identificou. É só deixar o amor fazer o resto. Todos devem ser felizes. Eu tive uma infância feliz e uma vida feliz e gostaria que todas crianças pudessem ter as mesma oportunidades”, conclui.
 
Envolvimento com adoção – Janete sempre que possível gosta de visitar casas lares. “Embora saibamos do compromisso dos servidores destas instituições, dos cuidados e da estrutura que elas têm, me dói muito ainda ver uma criança sem família. Vi um bebezinho que tinha recém chegado a um lar em Tangará da Serra. Ele tinha sido agredido pela família. Saí deprimida. Temos que continuar lutando para que isso não aconteça e sempre esclarecer à sociedade, sempre buscar melhores condições”, conta.
 
Conheça mais sobre a Adoção pelos Programas desenvolvidos pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) ligada à Corregedoria-Geral da Justiça. Clique aqui.
 
Foto 1: Imagem colorida. Dona Janete em meio a três funcionários da Casa Lar de Tangará da Serra em recente visita realizada. Todos estão em pé e de máscara. Do lado esquerdo, duas mulheres, em seguida ela, e ao lado direito o responsável pelo local. Ela conversa com as crianças acolhidas que não aparecem na foto.
 
Mais informações sobre adoção:
 
 
 
 
 
Ranniery Queiroz
Assessor de imprensa CGJ 

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Poder Judiciário de Mato Grosso

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Quem esteve no Fórum de Cuiabá nesta terça-feira (28) para trabalhar, participar de audiências, verificar processos ou resolver pendências com a Justiça teve a oportunidade de doar sangue no local, por meio de uma parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso e o serviço móvel do MT-Hemocentro, o Hemobus.
 
O ônibus do banco de sangue público estadual estacionou nas dependências do fórum às 8h e esteve lá até as 16h, atendendo o público interno e externo, a pedido do Programa Bem Viver, do Poder Judiciário. Servidores e servidoras, colaboradores e colaboradoras terceirizadas e pessoas de outros órgãos públicos doaram sangue na ocasião.
 
O servidor público Manoel Rufino, da Procuradoria Geral do Estado (PGE), soube da iniciativa pelo site do Tribunal de Justiça e foi até o fórum no horário de almoço fazer sua contribuição para o banco de sangue.
 
“Nosso dia a dia é muito corrido, geralmente não temos tempo para nos deslocarmos até o Hemocentro ou outro local onde você possa doar sangue. Trazendo o ônibus para dentro do fórum, conseguimos nos ajustar e estando mais perto, conseguimos doar numa boa”, afirma.
 
Também teve quem aproveitou para doar no próprio ambiente de trabalho, como é o caso da assessora da Diretoria do Fórum Rafaela Martins. Ela já é doadora de sangue, mas estava sem realizar a doação desde 2020.
 
“É muito bom porque dá a disponibilidade das pessoas doarem mesmo no local de trabalho. Se fosse em outro local, talvez eu não conseguiria doar. Isso também tira aquele tabu de que o acesso à doação é difícil. Assim é muito mais prático, até para alguma parte que esteja aqui consultando um processo e vê a disponibilidade de doar e ajudar”, destaca Rafaela.
 
Todos os tipos sanguíneos são bem-vindos, mas a maior demanda atual do Hemocentro é pelo tipo O, de qualquer fator Rh, por ser doador universal.
 
Uma bolsa de 400 ml de sangue pode atender até quatro pacientes, separada em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado e crio precipitado.
 
Podem doar sangue pessoas de 16 a 69 anos, que estão bem de saúde, pesem pelo menos 50 quilos, não se expuseram a riscos de contaminação por doenças transmissíveis pelo sangue e estejam bem alimentadas. Quem tiver tatuagem, micropigmentação ou piercing, só pode doar sangue depois de um ano do procedimento. Já aqueles que tiveram covid-19 precisam aguardar 30 dias após o fim de todos os sintomas.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem – Foto horizontal colorida de uma bolsa de sangue dentro do aparelho de coleta, na cor amarela.
Segunda imagem – Foto vertical colorida do doador Manoel. Ele está sentado em uma poltrona cinza com o braço esquerdo puncionado com agulha, algodão e esparadrapo doando sangue. À esquerda está o equipamento de coleta do sangue.
Terceira imagem – Foto horizontal colorida do interior do ônibus Hemobus durante a doação da servidora Rafaela. Ela está deitada em uma poltrona cinza com o braço direito estendido e puncionado e ao lado dela uma enfermeira acompanha o procedimento, vestindo roupa hospitalar azul e máscara de proteção facial. Atrás delas, uma mulher de jaleco branco trabalha.
 
Nos links a seguir você tem acesso a outras matérias sobre doação de sangue.
 

 
Mylena Petrucelli/Fotos: Mylena Petrucelli e Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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