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Divergências travam aliança entre PSDB e MDB em torno de Tebet

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Divergências travam aliança entre PSDB e MDB em torno de Tebet
Reprodução / CNN brasil – 25.05.2022

Divergências travam aliança entre PSDB e MDB em torno de Tebet

Divergências entre PSDB e MDB em três estados-chave emperram o anúncio do apoio tucano à pré-candidatura da  senadora Simone Tebet (MDB) à Presidência. A aliança ficou mais próxima após o ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), retirar sua candidatura no início desta semana. O PSDB, contudo, cobrou o apoio emedebista a seus pré-candidatos ao governo em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, estados em que o partido de Tebet alinhou outras candidaturas.

Além desses três estados, MDB e PSDB podem se enfrentar em disputas ao governo no Amazonas, Paraíba e Distrito Federal, e caminham para estar em chapas distintas em Minas Gerais, Goiás e Alagoas.

A cobrança pelo apoio do MDB nos três estados-chave foi vocalizada pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” na quarta-feira, Araújo descreveu como “fundamental”, para garantir o apoio do PSDB a uma chapa liderada por Tebet, a “reciprocidade” emedebista aos candidatos tucanos aos governos de Pernambuco, Raquel Lyra; do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Jr, atual governador; e do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel.

No Sul, lideranças partidárias avaliam que Ranolfo abriria mão de tentar a reeleição caso o ex-governador Eduardo Leite (PSDB) decida concorrer novamente ao cargo. Leite renunciou em abril, transmitindo a cadeira ao vice, Ranolfo, vislumbrando uma candidatura à Presidência. O pré-candidato do MDB ao governo, o deputado estadual Gabriel de Souza, tem boa relação com Leite. Nas últimas semanas, o ex-governador tem declarado se manter afastado de articulações nacionais e dedicado à sucessão no estado, e disse ver com bons olhos um apoio do PSDB a Tebet.

Souza construiu consenso em torno de sua candidatura no MDB gaúcho, que tem alas mais próximas ao bolsonarismo, justamente pela expectativa de atrair o apoio de Leite, que desde 2018 nega ter planos de reeleição. O presidente do MDB no estado, Fábio Branco, afirma que o partido não debate a retirada da candidatura de Souza. Branco diz ainda que o MDB “desde a redemocratização sempre lançou candidato ao governo” gaúcho, argumento semelhante ao usado por alas do PSDB que rejeitam o apoio a Tebet em âmbito nacional.

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“Nosso projeto é uma continuação do governo Leite, que deu continuidade à gestão Sartori (MDB). Por isso, temos interesse no PSDB na coligação. Mas entendo que sequer cabe responder essa afirmação (de Araújo), que foi feita em caráter individual. Em nenhum momento a retirada de candidatura do Gabriel foi discutida”, afirmou Branco.

No Mato Grosso do Sul, estado de Tebet, PSDB e MDB são aliados no governo do tucano Reinaldo Azambuja – o deputado estadual Eduardo Rocha, marido da senadora, foi nomeado secretário de Governo de Azambuja em novembro. O MDB, contudo, lançou como pré-candidato o ex-governador André Puccinelli, enquanto Azambuja pretende fazer como sucessor o ex-secretário Eduardo Riedel (PSDB).

Além da disputa local, um entrave à aliança é o fato de que Riedel já declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele pretende ter em sua aliança a ex-ministra Tereza Cristina (PP), pré-candidata ao Senado com aval de Bolsonaro.

Puccinelli, por sua vez, planeja manter a candidatura como uma retomada de sua carreira política. Ele pretendia concorrer ao governo em 2018, mas foi preso pela Polícia Federal (PF) em junho daquele ano, em meio a investigações sobre supostos repasses da JBS a uma empresa de sua família, e só foi solto após as eleições. À época, houve um estremecimento na relação entre Puccinelli e Tebet, já que a senadora se recusou a assumir a candidatura ao governo.

Em mensagem divulgada em um grupo de WhatsApp da Executiva estadual do MDB, o ex-deputado e ex-ministro Carlos Marun afirmou que “não há possibilidade” de retirar a candidatura de Puccinelli, e que levou esta posição à direção nacional do partido. Ao GLOBO, Marun confirmou a mensagem e disse que “não é impossível” uma união entre os dois partidos no primeiro turno da disputa estadual, mas que é “mais provável” haver aliança em um eventual segundo turno.

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Marun afirmou ainda que vê com naturalidade um eventual apoio de Riedel a Bolsonaro, devido à sua proximidade com o agronegócio e com a ex-ministra Tereza Cristina.

“Riedel é uma força que nós respeitamos. Entendo que as duas campanhas, a dele e a de André, já estão muito consolidadas. Sobre a situação do Eduardo (Rocha), não vou negar que gostaríamos que ele estivesse na campanha de André, mas respeito a escolha dele de estar no governo”, disse Marun.

Já em Pernambuco, o MDB pretende apoiar a candidatura de Tebet de forma desvinculada do palanque estadual. O partido tem um acordo local com o PSB, do governador Paulo Câmara, que lançou o deputado Danilo Cabral como candidato à sucessão. Pelo acordo, uma espécie de “coligação informal” nas chapas legislativas, o PSB abrigou pré-candidatos a deputado estadual que saíram do MDB, como Jarbas Vasconcelos Filho. Já o MDB lançará a deputado federal nomes que disputaram a última eleição pelo PSB.

Segundo o presidente do diretório pernambucano do MDB, deputado federal Raul Henry, ele conversou nesta semana com Araújo, que também é de Pernambuco, e manteve a posição de se aliar ao PSB em nível estadual.

“Estar separado no plano local não impede uma aliança nacional. Nas eleições presidenciais anteriores, fizemos campanha para os candidatos do PSDB”, disse Henry.

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Diplomacia mantém o fornecimento de fertilizante para o Brasil, diz governo

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Billy Boss/Câmara dos Deputados
Audiência Pública – A instabilidade no fornecimento de fertilizantes estrangeiros. Dep. Bosco Costa PL - SE ; Luis Pacífico Rangel - DIRETOR DE PROGRAMA DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO.
Luís Rangel (C): Com a alta nos preços, papel dos fertilizantes subiu de 30% para até 43% nos custos

O diretor de programa da secretaria executiva do Ministério da Agricultura, Luís Rangel, atribuiu à diplomacia o atual quadro de normalidade no abastecimento de fertilizantes no Brasil, mesmo em cenário de guerra na região que abriga as maiores reservas de insumos para o produto. Ele foi um dos convidados da audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (28) para debater a instabilidade internacional no fornecimento de fertilizantes diante do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Rangel informou que a primeira ação do governo foi direcionar o trabalho da diplomacia para a questão dos insumos e fertilizantes. “Deixou de agir na promoção do nosso agronegócio lá fora para garantir o abastecimento dos insumos que vinham de fora para dentro. Só da Rússia, nós aumentamos as importações em 70% no primeiro trimestre”, disse.

A estratégia foi elogiada pelo diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, que ressaltou a “acanhada” produção doméstica e a grande dependência do País em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) importados. Dados da CNA atualizados até maio mostram Rússia (22,9%), China (12,6%), Canadá (10,3%) e Belarus (5,4%) como as principais fontes dos fertilizantes usados no Brasil.

Ainda pairam dúvidas quanto aos reflexos da guerra na safra agrícola do hemisfério norte e nos preços internacionais dos insumos, o que leva Luís Rangel a manter o tom de alerta. “O sinal é amarelo. Apesar de todos os esforços, o preço dos fertilizantes disparou e isso foi dramático para o que chamamos de custo variável de produção”.

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Com a alta nos preços, o papel dos fertilizantes subiu de 30% para até 43% nos custos de algumas lavouras. A audiência na Câmara foi organizada pelo deputado Bosco Costa (PL-SE). “A gente sabe que o agro vem dando grande contribuição ao PIB do Brasil, mas como 23% dos insumos dos fertilizantes vêm da Rússia, a guerra está prejudicando muito o setor”, disse o deputado.

Dependência
Na busca por soluções, governo e CNA defenderam a aprovação de propostas que tratam do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (PL 3507/21) e da regulamentação dos bioinsumos (PL 658/21), ambas em análise na Câmara. O presidente do Comitê Gestor de Nutrientes da Embrapa, Vinícius Benites, não vê solução imediata.

“O Brasil depende e dependerá, por muito tempo, da importação de fertilizantes. O problema dos fertilizantes no Brasil é estrutural, geológico: as nossas fontes de fósforo e potássio não são suficientes para suprir a nossa demanda”, explicou.

Segundo Benites, o Brasil pode aproveitar a crise para investir em novas tecnologias, algumas delas já em análise na Rede FertBrasil, como redução da quantidade de adubação, aproveitamento de pastagens degradadas (sistema de integração lavoura-pecuária), nutrientes organominerais e o uso de resíduos orgânicos. “O que existe de potássio em dejetos de suínos e aves é mais do que a (atual) produção nacional de potássio”.

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A diretora de biológicos da Croplife Brasil, Amalia Borsari, mostrou avanços na produção de fertilizantes de base animal, vegetal e microbiana. São produtos que permitem maior absorção de nutrientes, redução da dose de fertilizante e até substituição de fertilizantes, sobretudo os nitrogenados. O setor cresce a taxa anual de 8% a 11% e o faturamento global é de cerca US$ 1,2 bilhões.

Mineração
A Agência Nacional de Mineração (ANM) analisa hoje 381 processos relativos à produção de potássio no Brasil, sendo 284 autorizações de pesquisa, 16 requerimentos de lavra, 9 concessões de lavra e 72 requerimentos de pesquisa. Algumas áreas de lavra estão na região de Autazes, no Amazonas, em região ambientalmente frágil e próxima a terras indígenas delimitadas.

O superintendente de pesquisa da ANM, Ricardo Parahyba, disse que, mesmo em caso de liberação da licença, ainda haverá muito tempo até a efetiva produção. Os debatedores defenderam mais investimento no Serviço Geológico do Brasil (CPRM) a fim de ampliar o mapeamento do subsolo do País.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

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