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Professoras e professores não temos o que comemorar – seguiremos na resistência e em luta por dias melhores

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Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Todos os dias são das professoras e professores que lutam para construção coletiva do conhecimento com seus alunos e alunas. Dia 15 de outubro foi a data escolhida para homenageá-los. Porém, nos últimos anos, educadoras, educadores e estudantes não tem tido muitos motivos para comemoração.

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O atual governo federal elegeu a educação como inimiga. O Ministério da Educação (MEC) já teve quatro ministros e nenhum deles disse a que veio.

O primeiro titular da Pasta, Vellez Rodrigues, era uma pessoa cordial, mas não tinha nenhum projeto para o ensino público brasileiro. O segundo ministro, Abraham Weintraub, o que ficou mais tempo no cargo, era inimigo declarado das professoras e professores.

A mando do presidente da República, o senhor Weintraub promoveu um corte de 30% no orçamento da educação em 2019. Esse corte inviabilizou o funcionamento das Universidades e dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.

Estudantes, professores e movimentos sociais de todo País foram às ruas contra os cortes. O governo recuou e devolveu parte dos recursos.

Em 2020 e 2021, o orçamento do Ministério da Educação continuou tendo cortes. Somente este ano, o corte foi de R$ 4,2 bilhões, em plena pandemia. A educação nunca foi prioridade desse governo.

Com a queda de Abraham Weintraub, o presidente nomeou Carlos Decotelli, que nem chegou a tomar posse, porque a imprensa noticiou que ele teria mentido no currículo.

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Por fim, o quarto e atual ministro da Educação de Bolsonaro é o reverendo Milton Ribeiro. Ele tem acumulado declarações polêmicas e já foi alvo de Moção de Repúdio, proposta por mim e aprovada na Comissão de Educação da Câmara. Repudiamos a fala do ministro que disse que alunos com deficiência atrapalham os que não tem deficiência.

O atual ministro também disse que a Universidade não é lugar para todos. Para Ribeiro e Bolsonaro, Universidade é lugar apenas para filhos dos ricos. Os filhos dos pobres devem no máximo fazer um curso técnico.

O ódio que esse governo tem pela Educação ficou explícito na pandemia. As escolas ficaram fechadas mais de um ano, medida sanitária necessária para se evitar o contágio da Covid-19. Nesse período, o MEC não tomou uma única iniciativa visando preparar o retorno seguro às aulas presenciais.

O Ministério não cumpriu com seu papel, previsto na Constituição Federal, de coordenar a Educação Brasileira. Estados e municípios não receberam um centavo do governo federal, para investirem em aulas remotas.

Sou autora da Lei da Conectividade (14.172/2021), que destina R$ 3,5 bilhões para Estados, municípios e Distrito Federal pagarem internet e comprarem equipamentos para alunos e professores de escola pública, mas o governo se recusa a liberar os recursos.

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Mais de 50 milhões de estudantes da educação básica e mais de 8 milhões do ensino superior ficaram sem aulas presenciais e o governo Bolsonaro não cumpre a lei. O MEC não faz absolutamente nada para ajudar os entes da federação a promoverem aulas online.

O resultado dessa omissão do governo federal é que milhões de estudantes não conseguiram assistir a nenhuma aula remota.

Esse governo também tem ameaçado e perseguido professoras e professores. Reitores eleitos em Universidades não foram nomeados. Até mesmo o Piso Nacional do Magistério, conquista histórica aprovado em 2008, que garante uma remuneração básica aos professores e professoras, esse governo ameaça desmontar.

Infelizmente, a Secretaria de Estado de Educação do governo Mauro Mendes tem seguido alguns maus exemplos do governo Bolsonaro, ao se fechar e não dialogar com professores e estudantes.

O fechamento de Escolas Estaduais que a Seduc está fazendo, sem dialogar com a comunidade escolar é muito grave.
Professoras e professores, nós não temos muito o que comemorar. Temos que continuar na Resistência e na luta por dias melhores para as educadoras, os educadores e estudantes

Viva o Professor e a Professora! Seguiremos juntos, na resistência e em luta por dias melhores para a Educação Brasileira e Mato-grossense.

* Rosa Neide é Professora e Deputada Federal por Mato Grosso e está filiada ao Partido dos Trabalhadores. 

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Da agonia à extinção

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Foto: Arquivo pessoal

Escrevi tempos atrás, um artigo intitulado “Agonia de uma ave”, no qual demonstrava toda minha preocupação com relação ao sumiço de um dos mais belos exemplares da nossa fauna. Comentando com amigos, concordaram comigo, mas acharam uma certa dose de pessimismo na minha preocupação. Como, ponderei eu, se há cerca de alguns poucos anos atrás já via essa real possibilidade de sua extinção e hoje parece não haver mais dúvida, afirmei.

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Como é expert em ornitologia, começa meu amigo dando uma verdadeira aula sobre os hábitos e as belezas da mesma. Pensei estar frente a um charlatão, mas, logo vi que se tratava de um conhecedor profundo dos hábitos do tucano.

Este estudioso, para minha tristeza infinita, confirma estar essa bela e formosa ave vivendo seus últimos dias de calvário. Lamentável! Muito lamentável!

Continua em sua explicação dizendo se tratar de ave canibal. De sua prole, ou da prole de outros semelhantes, poucos sobrevivem. Aqueles que demonstram aptidões físicas e principalmente tendência à liderança, são imediatamente enviados aos campos de extermínio. Falava meu orientador e passava na minha mente aquela fila interminável de judeus a caminho da câmara de gás.

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Contava-me também, que na sua fazenda, uma dessas aves, de alta plumagem, um verdadeiro líder, pois onde fosse era seguido pelo bando todo, após receber ajuda e mais ajuda dos seus semelhantes, e, sem que ninguém esperasse ou admitisse, coloca em situação difícil esse seu colega que enormes favores lhe fizera. Colocou-o simplesmente para tomar conta de uma colmeia.

Ao fazendeiro meu amigo, pouca esperança existia de vê-lo sair com vida de tamanha atrocidade.

À medida que narrava esses fatos, segundo ele, absolutamente verídicos, fui compreendendo porque dia a dia se deparar com um exemplar, se torna cada vez mais difícil. Os poucos que aparecem estão mal cuidados, necessitando de atenção médica urgente.

Não há como entender o perfil dessas complicadas aves sem que se tenha absoluto domínio do seu modo de viver.

Certo é que em pouquíssimo tempo, ficaremos nós e nossos filhos, impedidos de conviver com elas, pois sem nenhuma dúvida atravessam turbulências decisivas na luta pela sobrevivência. Se você nunca teve a oportunidade de fotografar ou ser fotografado ao lado de uma, aproveite seus derradeiros dias. No zoológico da Universidade, restam algumas, que ainda estão em bom estado de conservação. Seus tratadores, com carinho e muita atenção, tentam modificar seu modo de vida, mostrando-lhes a importância do companheirismo, da solidariedade, só assim garantindo a perpetuação da espécie.

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Acredito ser esta uma das ultimas oportunidades de ter, na sala da sua casa uma bela foto desse exemplar. Depois não diga que não lhe avisei!

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