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O papa em Cuiabá

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Foto: Arquivo pessoal

O santo padre esteve em Cuiabá. João Paulo II, santo, posteriormente proclamado pela igreja católica, derramou seu suor — assim como eu e você — neste chão, nesta calorosa terra. Esse capítulo memorável, talvez um dos mais icônicos nestes 302 anos de história de nossa capital, ocorreu no dia 16 de outubro de 1991. Há exatos 30 anos, aos pés de uma imensa cruz de metal, erguida no bairro Morada do Ouro, aquele senhor que nasceu e cresceu no frio polonês se deparou e enfrentou, com a tradicional fé inabalável e seu carisma próprio, os 42ºC de um sol alpino e umidade baixa durante a solene celebração da Santa Missa.

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Debaixo de um toldo simples, amarelo como o sol, o Santo Padre, como sugere o rito católico, fazia uso de todas as vestes litúrgicas previstas: eram seis no total. Limpando o suor do rosto apenas duas vezes, durante a homilia, João Paulo II disse que “não veio [a Cuiabá], como os bandeirantes de outrora ou os garimpeiros de hoje, à procura do ouro”. Ainda durante a fala, antigamente chamada de sermão, o papa lembrou que a cidade é o “coração geográfico da América do Sul”, e veio “para conhecer, abençoar e trazer a palavra ao povo bom desta terra, aos que aqui nasceram ou para aqui vieram, em tão grande número, nos últimos anos. ”

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Infelizmente eu não contemplei, presencialmente, essa cena. Felizmente, apesar de escassas, algumas fotos e vídeos disponíveis na internet eternizam esse momento inesquecível para quem lá esteve; e invejável, no bom sentido da palavra, para quem não pode presenciar. Reportagens da época contam que a celebração reuniu mais de 200 mil pessoas. Mesmo com o esforço concentrado dos homens do Corpo de Bombeiros que, literalmente, jogaram água nos fiéis para amenizar a temperatura, pelo menos mil pessoas desmaiaram no local.

Atualmente, o local se tornou um verdadeiro centro de espiritualidade e segue se reinventando para atender às necessidades dos fiéis e da sociedade. Carregando o nome do seu mais ilustre visitante, e recentemente apelidado de Sesi Papa, desde 2012, o memorial é casa do tradicional Vinde & Vede, retiro de carnaval católico — que costumava, em tempos pré-pandêmicos, reunir mais de 100 mil pessoas durante sua programação. Além disso, a Arquidiocese de Cuiabá tem planos para construir uma nova e ampla igreja no local onde hoje abriga uma capela. As obras já estão sendo realizadas, inclusive.

Já dizia o sábio que “o tempo é o melhor autor”. Assim, três décadas se passaram e o ambiente continua sendo espaço de vida em abundância: desde março é palco da vacinação contra a Covid-19. Eu estava lá na abertura das atividades, e puder ver, ouvir e gravar o vigário geral da Arquidiocese de Cuiabá, padre Deusdédit Monge, na ocasião representando o arcebispo metropolitano, Dom Milton, abençoando os profissionais da saúde que estava e ainda estão trabalhando naquele santo lugar. Durante a oração, o sacerdote destacou, com ênfase, que “a fé e a ciência têm que caminhar juntas”.

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Curiosamente, ou melhor, providencialmente, em 1998, o então papa João Paulo II escreveu a encíclica Fides et Ratio (Fé e Razão), que aborda as relações “entre a fé e a razão, que constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”

Em tempos de negacionismo exacerbado e fazendo memória desta data solene, gostaria que refletíssemos juntos se a realização da vacinação neste lugar é ou não um grande presente divino. Obviamente minha resposta é afirmativa. Mas, e a sua? O que acha? Seria apenas coincidência ou providência?

Se outrora não pude ver o papa em solo cuiabano, até mesmo por questões cronológicas, hoje tenho a graça e oportunidade de frequentar esse local tanto como fiel católico e também como cidadão cuiabano. Mais feliz ainda fiquei quando, na graça de receber a imunização contra a Covid-19, providencialmente, o local de vacinação estabelecido foi o Memorial Papa São João Paulo II.

Neste dia histórico, sigamos com fé e razão para enfrentar os desafios de nossos tempos. São João Paulo II, ilustre visitante de nossa capital, rogai por nós.

* Eduardo Cardoso é jornalista em Cuiabá

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Da agonia à extinção

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Foto: Arquivo pessoal

Escrevi tempos atrás, um artigo intitulado “Agonia de uma ave”, no qual demonstrava toda minha preocupação com relação ao sumiço de um dos mais belos exemplares da nossa fauna. Comentando com amigos, concordaram comigo, mas acharam uma certa dose de pessimismo na minha preocupação. Como, ponderei eu, se há cerca de alguns poucos anos atrás já via essa real possibilidade de sua extinção e hoje parece não haver mais dúvida, afirmei.

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Como é expert em ornitologia, começa meu amigo dando uma verdadeira aula sobre os hábitos e as belezas da mesma. Pensei estar frente a um charlatão, mas, logo vi que se tratava de um conhecedor profundo dos hábitos do tucano.

Este estudioso, para minha tristeza infinita, confirma estar essa bela e formosa ave vivendo seus últimos dias de calvário. Lamentável! Muito lamentável!

Continua em sua explicação dizendo se tratar de ave canibal. De sua prole, ou da prole de outros semelhantes, poucos sobrevivem. Aqueles que demonstram aptidões físicas e principalmente tendência à liderança, são imediatamente enviados aos campos de extermínio. Falava meu orientador e passava na minha mente aquela fila interminável de judeus a caminho da câmara de gás.

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Contava-me também, que na sua fazenda, uma dessas aves, de alta plumagem, um verdadeiro líder, pois onde fosse era seguido pelo bando todo, após receber ajuda e mais ajuda dos seus semelhantes, e, sem que ninguém esperasse ou admitisse, coloca em situação difícil esse seu colega que enormes favores lhe fizera. Colocou-o simplesmente para tomar conta de uma colmeia.

Ao fazendeiro meu amigo, pouca esperança existia de vê-lo sair com vida de tamanha atrocidade.

À medida que narrava esses fatos, segundo ele, absolutamente verídicos, fui compreendendo porque dia a dia se deparar com um exemplar, se torna cada vez mais difícil. Os poucos que aparecem estão mal cuidados, necessitando de atenção médica urgente.

Não há como entender o perfil dessas complicadas aves sem que se tenha absoluto domínio do seu modo de viver.

Certo é que em pouquíssimo tempo, ficaremos nós e nossos filhos, impedidos de conviver com elas, pois sem nenhuma dúvida atravessam turbulências decisivas na luta pela sobrevivência. Se você nunca teve a oportunidade de fotografar ou ser fotografado ao lado de uma, aproveite seus derradeiros dias. No zoológico da Universidade, restam algumas, que ainda estão em bom estado de conservação. Seus tratadores, com carinho e muita atenção, tentam modificar seu modo de vida, mostrando-lhes a importância do companheirismo, da solidariedade, só assim garantindo a perpetuação da espécie.

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Acredito ser esta uma das ultimas oportunidades de ter, na sala da sua casa uma bela foto desse exemplar. Depois não diga que não lhe avisei!

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