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ARTIGO

Lúpus, Fibromialgia, Alzheimer e Leucemia: O impacto da informação na saúde pública

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OPINIÃO

O calendário da saúde nos convida, neste mês, a uma reflexão profunda e necessária. Fevereiro é o mês em que vestimos as cores roxo e laranja para iluminar causas que, muitas vezes, permanecem nas sombras do desconhecimento e do diagnóstico tardio.

Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), entendo que nosso papel vai além de legislar e fiscalizar. Precisamos ser portadores de conscientização, garantindo que a informação de qualidade chegue a cada cidadão mato-grossense, do Araguaia ao Pantanal.

A cor roxa abraça três condições crônicas que exigem resiliência: o Lúpus, a Fibromialgia e o Alzheimer.

O Lúpus é uma doença autoimune que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, atingindo articulações, pele, rins e outros órgãos vitais. A Fibromialgia provoca dor crônica generalizada, afetando o sono, o humor e a capacidade de trabalho, carregando ainda o peso do preconceito. Já o Alzheimer é uma jornada desafiadora para toda a família, afetando mais de 1,2 milhão de brasileiros com perda progressiva da memória e autonomia.

O lema do Fevereiro Roxo é claro: “Se não houver cura, que haja conforto”. E esse conforto passa por políticas públicas que assegurem acesso a especialistas, medicamentos e tratamentos adequados no SUS.

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A cor laranja alerta sobre a Leucemia, um dos cânceres que mais acomete crianças e jovens, afetando os glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo. Sintomas como palidez, sangramentos, febre persistente e cansaço extremo merecem atenção imediata.

Faço um apelo especial à solidariedade mato-grossense: a doação de medula óssea. Um simples cadastro no REDOME pode representar a única chance de cura para alguém. É um gesto que não custa nada, mas vale uma vida inteira.

Na Assembleia Legislativa, temos trabalhado para que Mato Grosso avance na oferta de exames e tratamentos especializados. Apresentei o Projeto de Lei nº 1148/2025, que aprimora o Programa Estadual de Assistência Paliativa, alinhando-o à Política Nacional do Ministério da Saúde.

Esta iniciativa dialoga com o Fevereiro Roxo: cuidar com dignidade de quem enfrenta doenças crônicas como Alzheimer, lúpus e fibromialgia. O projeto reconhece diversidades culturais e religiosas, estabelece diretrizes desde a identificação precoce até o apoio ao luto, garantindo que ninguém enfrente sozinho os momentos mais delicados.

Apoiar campanhas como esta reafirma nosso compromisso com o SUS e a humanização do atendimento. Cuidar de quem já não pode ser curado é um dos maiores gestos de humanidade que podemos oferecer.

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Neste Fevereiro Roxo e Laranja, vamos espalhar informação e solidariedade. O conhecimento é o melhor remédio, a prevenção é nosso melhor investimento, e a empatia é o que nos torna verdadeiramente humanos.

*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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OPINIÃO

Diagnóstico rápido de leucemia precisa ser prioridade no SUS

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Carlos Aburad

No Fevereiro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre a leucemia, o Brasil precisa encarar um problema que custa vidas: o atraso no diagnóstico. É inaceitável que um paciente do SUS aguarde mais de 10 dias pelo resultado de uma biópsia de medula óssea diante da suspeita de leucemia. Muitos pacientes com leucemia chegam ao tratamento especializado tarde demais. Esse atraso, recorrente no sistema público de saúde, transforma um câncer tratável em uma corrida contra o tempo perdida antes mesmo de começar.
A leucemia é um câncer que começa na medula óssea, responsável pela produção das células do sangue. Alterações nas células-tronco hematopoéticas fazem com que leucócitos anormais se multipliquem de forma descontrolada, comprometendo a produção de glóbulos vermelhos, plaquetas e células de defesa funcionais. O organismo entra em um colapso silencioso, muitas vezes sem sinais claros no início.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registrou cerca de 11 mil novos casos de leucemia por ano, considerando o triênio 2023–2025, com discreta predominância entre os homens. Crianças, adultos jovens e idosos podem ser afetados, dependendo do tipo da doença. Apesar desses números expressivos, a leucemia ainda é frequentemente diagnosticada de forma tardia, especialmente no SUS.
O maior desafio está no fato de que os sintomas iniciais da leucemia são comuns e inespecíficos. Febre persistente, cansaço intenso, palidez, dores no corpo, manchas arroxeadas na pele, sangramentos espontâneos, infecções recorrentes e queda de plaquetas são manifestações que fazem parte da rotina das unidades básicas de saúde. Em um país como o Brasil, onde surtos de dengue são frequentes, essa semelhança clínica se torna ainda mais perigosa.
Dengue hemorrágica e leucemia podem ter sinais semelhantes, por exemplo, como febre, plaquetopenia e sangramentos. A diferença é que a dengue, em geral, apresenta evolução autolimitada. A leucemia não. Quando os sintomas persistem, se agravam ou não respondem como esperado, o sinal de alerta já deveria estar aceso. O problema é que, muitas vezes, isso não acontece a tempo. Do ponto de vista da saúde pública, o SUS ocupa posição central nesse cenário. A grande maioria dos pacientes com leucemia no Brasil depende exclusivamente do sistema público para diagnóstico e tratamento. O SUS dispõe de ferramentas fundamentais, como o hemograma, um exame simples, de baixo custo e amplamente disponível. Ainda assim, sua importância estratégica no rastreamento do câncer hematológico nem sempre é devidamente valorizada.
Há diariamente casos em que alterações persistentes no hemograma foram subestimadas por semanas ou meses. Anemia progressiva, plaquetopenia contínua, leucócitos muito elevados ou muito baixos e presença de células imaturas no sangue periférico não podem ser automaticamente atribuídos a viroses ou condições benignas sem investigação adequada. Quando esses sinais são ignorados, o diagnóstico chega tarde. A confirmação da leucemia exige exames mais complexos, como análise da medula óssea, imunofenotipagem por citometria de fluxo, estudos citogenéticos e testes moleculares. Esses exames estão disponíveis no SUS, mas o tempo entre a suspeita clínica e o acesso a essa investigação especializada ainda representa um gargalo em muitas regiões do país. Na leucemia, esse intervalo pode ser decisivo para a sobrevida.
As leucemias agudas, em especial, evoluem rapidamente e exigem início imediato do tratamento. O atraso diagnóstico pode resultar em infecções graves, sangramentos extensos e rápida deterioração clínica. Já as leucemias crônicas, muitas vezes silenciosas, poderiam ser identificadas precocemente em exames de rotina, evitando complicações futuras. Isso reforça a importância do acompanhamento médico regular, mesmo em pacientes assintomáticos.
É preciso dizer com clareza: não existe prevenção absoluta da leucemia. No entanto, existe algo plenamente possível e urgente — a prevenção do diagnóstico tardio. Isso passa por capacitação contínua dos profissionais da atenção básica, protocolos bem definidos, repetição de exames quando o quadro não evolui como esperado e encaminhamento rápido para investigação especializada.
O Fevereiro Laranja também deve reforçar a importância da doação de medula óssea como política pública permanente. Para muitos pacientes atendidos pelo SUS, o transplante representa a única chance de cura. Ampliar os registros de doadores é uma responsabilidade coletiva que precisa ser constantemente estimulada.
Diagnosticar é um ato que vai além da técnica. Diagnosticar é assumir responsabilidade sobre o tempo do paciente. Na leucemia, cada atraso cobra um preço alto. O SUS tem estrutura, profissionais qualificados e potencial para mudar essa realidade, mas isso exige prioridade, investimento e, sobretudo, atenção aos sinais que o corpo apresenta. Ignorar esses sinais custa vidas. Reconhecê-los a tempo é uma obrigação da saúde pública.

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