Corte nos repasses
MT pode sofrer penalidades por irregularidades no Samu, afirma ministério
GERAL
Diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, afirmou durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (ALMT), na manhã desta terça-feira (28), que Mato Grosso pode sofrer penalidades caso não corrija as irregularidades encontradas nas visitas técnicas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Na reunião, Fernando apresentou a conclusão dos relatórios técnico e de auditoria, que identificaram algumas inconformidades, principalmente na gestão de recursos humanos e na aplicação das verbas federais no funcionamento do Samu.
Durante a entrevista, Figueira pontuou que o Governo Federal adota, neste momento, uma postura “otimista e colaborativa”, priorizando a adequação do serviço. No entanto, ele alertou que há indícios de uso indevido de recursos destinados exclusivamente à saúde, com possível direcionamento de verbas para profissionais ligados a outras estruturas, como o Corpo de Bombeiros, o que contraria uma das normas do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Caso as falhas persistam, o Ministério da Saúde poderá adotar medidas mais rigorosas, como a suspensão de repasses financeiros, a exigência de devolução de recursos utilizados de forma irregular e a restrição de novos investimentos e habilitações no Samu, mas não é algo que queremos pensar agora, pois essas ações só serão consideradas em último recurso, não é um caminho que queremos seguir”, pontuou.
O Ministério da Saúde, sob comando do ministro Alexandre Padilha, deve intensificar o monitoramento das ações do governo estadual, especialmente quanto à promessa de ampliação da cobertura do Samu. Atualmente, Mato Grosso atende cerca de 58% da população, abaixo da média nacional de 88%. A meta é alcançar 100% de cobertura. As auditorias também apontaram problemas estruturais e operacionais.
Um dos principais pontos é o funcionamento da Central de Regulação dentro do Ciosp, considerado incompatível com a natureza assistencial do serviço e com a necessidade de sigilo das informações clínicas. Além disso, foi identificado que chamadas pelos números 192 e 193 não passam por sistema integrado, gerando duplicidade de ocorrências e envio simultâneo de equipes para o mesmo atendimento.
O relatório ainda descreve condições inadequadas de trabalho, como espaços de repouso insuficientes, ambiente com infiltração e mofo, além da falta de manutenção. Também foi constatado que, das 10 unidades habilitadas, apenas 6 estavam em funcionamento, algumas sem atendimento 24 horas por falta de profissionais. As motos do Samu, por exemplo, estão inoperantes desde março.
Durante as visitas técnicas, também foi identificado o sucateamento de veículos no pátio da base do bairro Coophema, enquanto a gestão aguarda autorização para o descarte, sem apresentar documentação do processo. Apesar do cenário de irregularidades, o governo federal sinaliza novos investimentos e chegada de novas ambulâncias até o final do mês de junho.
Disposto a adotar medidas
O governador Otaviano Pivetta esteve na reunião. Ele informou que uma reunião deve ser marcada nos próximos dias com representantes da categoria para avaliar a atual situação do Samu em Cuiabá e também a atuação do Corpo de Bombeiros no serviço.“Nós vamos decidir isso juntos”, declarou.
Pivetta ressaltou que o Estado está disposto a adotar todas as medidas necessárias para garantir o funcionamento do Samu nos municípios mato-grossenses. Ele lembrou que o serviço foi criado pelo governo federal para ser executado pelas prefeituras, mas que, em Cuiabá, o governo estadual assumiu a responsabilidade após a gestão municipal não aderir ao programa em 2007.
O governador também defendeu a atuação do Corpo de Bombeiros, afirmando que a corporação possui profissionais qualificados para prestar atendimento de urgência, assim como os servidores do Samu. “Nós não podemos deixar de reconhecer isso. Seria injusto”, afirmou.
Por fim, o chefe do Executivo estadual reforçou que pretende ouvir os trabalhadores antes de qualquer definição e disse que busca soluções sem desperdício de recursos públicos. “Temos o dinheiro necessário para fazer o serviço bem feito. Com a colaboração de vocês, vamos fazer isso sem nenhum problema”, concluiu.
GERAL
Há 38 anos em Sinop, Antônio Gois recebe título de cidadão mato-grossense
Artífice da comunicação e da política começou sua jornada servindo o bispo Dom Henrique
Em sessão solene da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, realizada na última sexta-feira (24), na Câmara de vereadores de Sinop, algumas personalidades locais foram condecoradas com o Título de Cidadão Mato-grossense. Entre os homenageados está Antônio José de Gois, diretor da Real TV/Record de Sinop e do site GC Notícias. O título foi oficializado através da Resolução 11.151/2026, proposta pelo deputado estadual Silvano Amaral – que tem sua base política em Sinop e já contou com as articulações de Gois em diferentes momentos de sua trajetória.
Conhecido pela sua atuação na comunicação e na condução de campanhas políticas, o hoje empresário da comunicação começou sua trajetória em Mato Grosso servindo ao bispo Dom Henrique Fröehlich. Gois veio para Sinop em abril de 1988, para visitar sua irmã Luciana, que era freira na cidade. “Era para ser uma viagem de 30 dias, que eu iria visitar ela antes de ir para o Nordeste. Acabei adiando a volta em mais 30 dias e depois fui ficando e lá se vão quase 40 anos”, comenta Gois.
Antônio nasceu no ano de 1970, em Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo. Com 6 dias de vida sua família se mudou para o Paraná, em uma propriedade rural na região de Paranavaí. Crescido em um berço humilde e religioso, Gois ainda menino foi guiado pela doutrina católica. Sua mãe, conhecida como “Maria Rezadeira” queria que ele fosse ordenado padre, assim como seus dois outros irmãos. Gois chegou a fazer o seminário e vestir a batina, como coroinha, dando assistência nas celebrações religiosas. Não foi preciso mais que três missas para que o padre Joao Batista Monteiro entendesse que Antônio poderia ter fé e muita vontade de honrar o sonho da mãe, mas não tinha vocação para o sacerdócio. “Ele me chamou e teve uma conversa franca. Disse que eu era um bom menino, mas não tinha vocação para ser padre e que devia sair do seminário, me chamando para ser seu secretário em Sergipe. Eu disse que a única forma de sair do seminário e não ser padre era se o próprio padre fosse falar isso para minha mãe. E foi assim que aconteceu”, conta Gois.
Assim como a sua família havia deixado o Nordeste para nunca mais voltar, todos achavam que a ida de Antônio para Sergipe seria definitiva. Então, antes dessa empreita ele faria uma visita para a irmã, em Sinop. Ficou hospedado na casa das freiras e, durante os dias, acompanhava a irmã nos seus afazeres, na Paróquia Santo Antônio, na época conduzida pelo padre Hildo Inácio Rach. Para ocupar o tempo, ofereceu ajuda com as burocracias e organizações dos cursos de batizado, casamento e catequese. Sua formação no seminário e a passagem pela secretaria da igreja no Paraná garantiram conhecimento para lidar com essas funções. Ao final de 30 dias, quando deveria retornar, o padre pediu para que Gois ficasse mais 30 dias. Ele tinha vontade de ficar, mas para isso precisaria encontrar outro lugar para dormir. Mais um mês convivendo com as jovens freiras não era o ideal para um “moço” sem vocação.
E foi assim que surgiu o casal Carlos de Célia Briguetti, que abrigaram o rapaz de 18 anos de idade. Gois continuou trabalhando na paróquia Santo Antônio. Foi assumindo a coordenação do Grupo de Jovens e da catequese, atuando em conjunto com sua irmã freira. Mesmo sem magistério, chegou a ser professor de Ensino Religioso na Escola Estadual Ênio Pipino.
No ano de 1990, a influência que Gois tinha com a comunidade católica jovem despertou interesse político. Cabos eleitorais que formavam o time de campanha do médico Jorge Yanai recrutaram Gois para o projeto de eleger o primeiro deputado estadual por Sinop. Foi a primeira campanha política que ele atuou – e depois dessa foram muitas. “Vencemos a eleição e nos dias seguintes Jorge me chamou para conversar, me pedindo o que eu queria. Eu estava construindo minha casa, já tinha ganhado umas janelas então pedi umas portas. Ele estranhou, achou que eu iria pedir um cargo como assessor em Cuiabá. Muita gente que trabalhou na campanha queria ir para capital. Não era meu caso”, conta Gois.
O jovem já havia encontrado um par e os 500 km de distância era um convite para ficar avulso novamente. Então decide ficar em Sinop. Em 1992 ele se casa com Mari Lucia, com quem teria dois filhos: Flávio, nascido em 1994 e Ronny, em 1997.
Nesse intervalo de tempo Gois subiu na hierarquia do clero. Seus préstimos na paróquia Santo Antônio o fez ser recrutado por Dom Henrique Fröehlich, o primeiro bispo de Sinop. Inicialmente como secretário, depois como uma espécie de “assessor de imprensa”. “Dom Henrique dizia que se Jesus Cristo viesse a terra nos tempos de hoje, ele usaria os melhores meios de comunicação para levar sua mensagem. Jesus iria para o rádio e para televisão, que eram os principais canais da época”, comenta.
O bispo investiu no jovem, com cursos e formações na área de comunicação. Com a nova instrução, ajudou a criar e produzir o programa Fé e Vida, que passava na rádio e na TV local. Uma produtora foi montada na Mitra Diocesana para gravar os programas. Essa estrutura inclusive chegou a incubar a TV Capital no seu surgimento.
Após uma contenda com os sócios, o empresário Zeno Schneider foi forçado a sair da TV Kayabi, que ajudou a fundar. Como resposta, correu atrás do abandonado canal 8 de TV aberta, trazido junto com a Radiobrás no final do Regime Militar e sem uso desde então. Em 1994 Zeno compra o canal 8 e funda a TV Capital. Parte dessa negociação só foi possível porque o primeiro cliente, antes da primeira transmissão, estava garantido: 8 meses de Programa Fé e Vida.
Durante a década de 90 Gois atuava na política, na comunicação e na igreja. Fez a segunda campanha de Yanai, em 94, embora sem sucesso. Abriu sua produtora de “enlatados” para televisões locais. Nas ondas de rádio e TV, ajudava a mensagem católica chegar mais longe. Não era um padre, como sua mãe queria, mas estava operando com fé.
No ano 2000 atuou na campanha de Nilson Leitão para prefeito de Sinop, sendo um secretário pessoal da jovem liderança política. Nesse tempo Gois já fazia parte da equipe da TV Capital e seus serviços com a igreja deixaram de ser formais. No ano de 2002 ele participou ativamente na construção da imagem de Dilceu Dal’Bosco, que acabou vencendo uma acirrada disputa interna e foi o candidato a deputado estadual pelo seu grupo. Dal’Bosco foi eleito, depois reeleito duas vezes e por fim transmitiu o legado político para seu irmão, Dilmar.
Em 2004 a atuação de Gois como articulador político e da comunicação produziu uma dos “cases” mais bem sucedidos da cena local. Ao trocar um experiente apresentador de TV por um jovem repórter em ascensão, Gois deu holofote a Gilson de Oliveira, que em sua primeira eleição, no ano de 2004, registrou 4.612 votos para vereador – o maior volume de votos em um único candidato para Câmara de Sinop até os dias de hoje. O sucesso eleitoral despertou um novo grupo político, em oposição a Leitão, que em 2006 resultaria na eleição de Juarez Costa para deputado estadual e, como efeito subsequente, nos seus dois mandatos como prefeito de Sinop – de 2009 à 2016.
Gois foi coordenador de campanha em todos os pleitos vencidos por Juarez a partir de 2004. No primeiro mandato, foi assessor-chefe do departamento de comunicação da prefeitura. Em 2012 Juarez foi reeleito e a vitória fortaleceu o grupo político, que se organiza e compra a TV Capital. Gois retorna à direção do canal 8 e do Grupo de Comunicação que ele ajudou criar.
Em 2014 trabalhou na campanha do então secretário de Finanças, Silvano Amaral, que foi eleito deputado estadual. “Sou muito grato por todo tempo que trabalhamos juntos e agora por esse título de cidadão mato-grossense. Obrigado Silvano pela lembrança e pelo reconhecimento”, pontuou.
Depois do sucesso no pleito, em dezembro de 2014, Gois decide encerrar o Jornal Capital, o mais antigo e relevante impresso em atividade da cidade. Antevendo as mudanças na comunicação, Gois dá fim ao periódico premiado e transfere a redação do impresso para o digital, criando assim o site GC Notícias.
Depois de ter participado da articulação que definiu a empresária Rosana Martinelli como vice de Juarez na eleição de 2012, Gois trabalha na sua eleição para prefeita. Outra vitória, assim como em 2018, na campanha que sagrou Juarez Costa deputado federal. Gois inclusive foi chefe de gabinete do deputado por um período. “Na eleição de 2020 não conseguimos ter sucesso na costura e o grupo acabou perdendo a eleição e distanciando alguns dos seus líderes. Foi um momento que também senti uma ressaca política. O trabalho em Brasília me causava desgaste, como uma depressão. Foi preciso me afastar da cena por um tempo”, conta Gois.
Depois de duas décadas operando na política, a saída do gabinete fez Gois ser ainda mais procurado. Para profissionalizar esse tipo de serviço, ele cria no ano de 2023 a empresa Mandato – especializada em assessoria, consultoria e estratégia política e de gestão pública. Através da Mandato, Gois montou uma equipe de profissionais que ajudam a orientar lideranças na atuação pública.
No ano de 2019 a TV Capital foi oficialmente encerrada, repaginada como Real TV, canal 8.1, transmissora Record. Gois continua como um dos diretores da televisão, de suas filiais em Cláudia e Vera, e dos sites GC Notícias, MT Notícias e Marajó Notícias. Em 2025 ele incluiu uma nova atuação no seu currículo, como dirigente de futebol, sendo eleito como primeiro vice-presidente da Federação Mato Grossense de Futebol. “Sou muito grato por tudo que Sinop me proporcionou e pelas pessoas que fizeram parte desse caminho. Eu não sei se eu não iria mais voltar se fosse para o Nordeste, como minha família pensava. Mas de Sinop eu nunca mais sai”, encerra Gois.
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