Cidadania e educação
Seduc e TRE-MT firmam cooperação para emitir títulos eleitorais a 157 mil estudantes da rede estadual
Parceria amplia o acesso e incentiva a participação de jovens nas eleições de 2026
EDUCAÇÃO
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) e o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) firmaram, na manhã desta segunda-feira (9.2), o Acordo de Cooperação Técnica nº 01/2026 para viabilizar a emissão do título eleitoral de aproximadamente 157 mil estudantes da rede estadual de ensino. A iniciativa tem como objetivo ampliar a participação da juventude no processo democrático, especialmente nas Eleições Gerais de 2026.
O acordo foi celebrado entre o TRE-MT, representado por sua presidente, a desembargadora Serly Marcondes Alves, e a Seduc, representada pelo secretário de Estado de Educação, Alan Porto. A parceria busca promover a inclusão política de estudantes, principalmente jovens com idade entre 15 e 17 anos, fortalecendo a cidadania e o protagonismo juvenil em todo o estado.
A cooperação prevê ações de alistamento, revisão e regularização eleitoral. Pelo termo, a Seduc ficará responsável pela logística de transporte dos alunos até cartórios eleitorais e postos de atendimento, disponibilizando ônibus, micro-ônibus ou vans para garantir um deslocamento seguro. Profissionais da educação acompanharão os estudantes durante todo o trajeto e permanência nos locais de atendimento.
O TRE-MT, por sua vez, será responsável por estruturar o atendimento, disponibilizar equipamentos para coleta biométrica e emissão dos títulos eleitorais, além de definir, em conjunto com as unidades escolares, os cronogramas de atendimento. Sempre que possível, também serão realizadas orientações educativas sobre a importância do voto, o funcionamento da urna eletrônica e o papel da Justiça Eleitoral.
A iniciativa dialoga diretamente com o programa Estudante: Cidadão do Futuro, desenvolvido pela Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) em parceria com a Seduc. Em 2026, o programa terá como tema central a consciência política e eleitoral, com foco em adolescentes do ensino médio, especialmente da região metropolitana, sendo executado em parceria com o TRE-MT em ano de eleições gerais.
Dentro da trilha pedagógica do programa, a temática da consciência eleitoral será trabalhada de forma lúdica, acessível e interativa, por meio de uma metodologia anual e gamificada. As ações incluem conteúdos educativos, jogos, desafios, vídeos, materiais gráficos e digitais, além de premiações, com linguagem pensada para dialogar com o público jovem e estratégias inclusivas, como o uso de gibis e materiais visuais voltados a estudantes neurodivergentes.
Segundo o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a integração das iniciativas fortalece a formação cidadã dos estudantes. “Estamos unindo educação, cidadania e participação social. Garantir o acesso ao título de eleitor e promover a consciência política desde a escola é fundamental para formar jovens mais críticos, responsáveis e preparados para a vida democrática”, afirmou.
O programa também prevê ações práticas, como dias dedicados ao alistamento eleitoral dentro das escolas, possibilitando que os estudantes emitam o primeiro título durante atividades pedagógicas. Em 2025, o Estudante: Cidadão do Futuro já impactou cerca de 1.700 alunos de escolas públicas de Cuiabá e Várzea Grande, que participaram de visitas à Casa da Democracia, conheceram a urna eletrônica e realizaram simulações de votação.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cruzados com o cadastramento eleitoral, indicam que apenas 28% dos jovens mato-grossenses nessa faixa etária possuem título de eleitor, enquanto 72% ainda não exercem esse direito por falta do documento.
Para a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, é fundamental aproximar os jovens do processo eleitoral. “Uma das nossas estratégias é dialogar com o estudante, mostrar, por meio de um plano de aula, a importância do título de eleitor e da participação no processo democrático. Além disso, queremos garantir o cadastramento biométrico desses jovens para evitar filas desnecessárias até o dia 6 de maio, prazo final para regularização junto à Justiça Eleitoral”, destacou.
O acordo entre Seduc e TRE-MT não prevê transferência de recursos financeiros, cabendo a cada instituição arcar com as despesas dentro de suas competências. A vigência do termo vai até 6 de maio de 2026, data limite para o fechamento do cadastro eleitoral. Após esse prazo, não será possível emitir o título nem regularizar pendências.
Dia E
Nesta terça-feira (10) será realizado o Dia “E” — Eleitoral, o Dia Estadual do Alistamento Jovem, ação promovida pelo TRE-MT para incentivar jovens de 15 a 17 anos a emitirem o título de eleitor. A iniciativa contará com a participação de 63 escolas, distribuídas pelas 57 zonas eleitorais do estado, com a expectativa de alistar pelo menos 2 mil jovens em um único dia.
EDUCAÇÃO
UFMT expulsa aluno de Medicina no 11º semestre
Estudante foi excluído da instituição por praticar atos incompatíveis com a vida acadêmica
Faltando apenas um semestre para se formar como médico em uma Universidade Federal, Cayo Ryan Araújo de Lima foi permanentemente excluído do quadro de acadêmicos da UFMT Sinop (Universidade Federal de Mato Grosso). A expulsão do curso foi oficializada através da portaria ICS-CUS nº 42, publicada no Diário Oficial da União do dia 22 de dezembro. O documento trata do encerramento do Processo Disciplinar Discente nº 23108.096722/2024-34, instaurado para apurar uma denúncia de conduta imprópria do acadêmico. A portaria é sintética: aplica a exclusão ao aluno citando artigos do Regimento Interno da UFMT, especificamente parte do artigo 18, que trata da “prática de atos incompatíveis com a vida acadêmica”. Uma explicação genérica que não elucida o ocorrido.
O GC Notícias apurou o caso. O primeiro contato foi com a diretora do Instituto de Ciências da Saúde da UFMT, Nádia Aléssio Velloso, que conduziu o processo disciplinar. Nádia passou o assunto para a Secretaria de Comunicação da Universidade, que por sua vez devolveu o assunto para Nádia, que não se manifestou mais sobre o assunto.
A reportagem recorreu então a Carla Galvan, coordenadora do curso de Medicina na UFMT Sinop. Carla ressaltou que embora a portaria torne público o resultado do Processo Disciplinar, todo o seu teor era sigiloso. Nenhuma informação sobre as razões que levaram a expulsão foi fornecida pela coordenadora.
Os registros acadêmicos apontavam que Cayo era um jovem estudante profícuo. Passou para Medicina na UFMT Sinop quando tinha apenas 17 anos. Não reprovou nenhum semestre. Tinha um CR (Coeficiente de Rendimento) com média 8 – notas que o colocavam entre os 15% melhores da classe. Teve trabalhos premiados em competições científicas e fora do curso desenvolvia seu lado literário, escrevendo crônicas e poemas em um blog pessoal. Como um acadêmico com esse perfil recebeu a mais severa punição da UFMT, jamais aplicada nesses 12 anos que o curso de Medicina em Sinop existe?
De prodígio a exilado
Em busca de informações sobre as razões que levaram a expulsão, o GC Notícias procurou outros acadêmicos de Medicina, colegas de sala de Cayo. Entre as fontes consultadas restou a percepção de que o acadêmico não era muito próximo de ninguém no curso.
Os acadêmicos que se lembram do ocorrido narraram problemas de conduta durante o chamado “período de internato”. Depois de 4 anos de formação maciçamente teórica, os estudantes de medicina vão a campo. Nesses dois últimos anos da formação, as atividades são todas fora de sala de aula, com estágios em estabelecimentos de saúde, como clínicas, hospitais, corpo de bombeiros e postos de Saúde. Cayo, assim como outros acadêmicos do curso, passou por várias unidades de saúde do município. Entre o final de 2024 e o início de 2025 ele chegou a estagiar no Hospital Regional de Sinop – maior unidade de saúde pública da cidade.
Os relatos dos ex-colegas apontam que Cayo tinha problemas de atraso e frequência nos estágios, além de um comportamento de enfrentamento com os médicos preceptores – tutores dos acadêmicos dentro das unidades. A possível indisciplina de Cayo nos estágios, no entanto, não foi o que teria motivado a sua expulsão sumária.
O “estopim” teria sido um episódio ocorrido em uma UBS (Unidade Básica de Saúde), um desses postos de saúde que tem nos bairros. A suspeita é de que Cayo, no intervalo do meio-dia, entrou nessa UBS, foi até o consultório médico, pegou uma das fichas de prescrição médica, fez uma receita de medicamento e a validou com o carimbo do profissional que atendia naquela unidade. O médico em questão teria flagrado a infração e reportado à UFMT.
O GC Notícias conseguiu fazer contato com Cayo. “Esse episódio foi muito traumático pra mim, mas, vou te dar o benefício da dúvida e me abrir um pouco”, declarou o acadêmico, que ao invés de uma entrevista decidiu compartilhar uma carta, que ele enviou para a UFMT.
Em tom lírico, demonstrando domínio das palavras para expressar sentimentos, Cayo narra na carta sua dor e arrependimento, em um misto de frustração pessoal e ressentimento com quem tolheu seus sonhos. Em um trecho da carta Cayo externa sobre o possível ocorrido na UBS. “Uma receita de antibiótico parecia uma coisa rasa, boba, quando eu a fiz. Na pior das hipóteses, vão dizer que eu sou um interno ruim, o que já diziam, então eu não tinha nada a perder. Foi isso que eu pensei”, escreveu Cayo.
O acadêmico conta no texto que estava estagiando de segunda a segunda no Hospital Regional durante todo o dia e que não lhe restava tempo em horário comercial para ir a um posto de saúde, se consultar. Por isso ele afirma que foi no intervalo do meio-dia, uma servidora deixou ele entrar e esperar. Após 45 minutos de espera, com medo de chegar novamente atrasado em seu estágio, sucumbiu. “Em um momento de desespero, eu fiz o que já era rotina para um estagiário: fazer receitas. Dessa vez para mim mesmo. Em alguns minutos, eu assinei e saí. Eu estaria mentindo se dissesse que não sabia que era errado, mas me senti mais roubando uma caneta do que cometendo um crime sério. Inocência minha”, narrou Cayo.
O acadêmico conta que quando as coisas escalaram mais do que o necessário, ele se ofereceu para pedir desculpas ou fazer serviços comunitários – punições mais brandas do que ser afastado do curso. Não foi o que ocorreu.
Em 23 de maio de 2025 a UFMT instaurou o processo disciplinar que resultou na exclusão permanente de Cayo. De acordo com o advogado que representa o acadêmico, Wesley Vieira, a UFMT violou o direito de Cayo quando inverteu o rito do processo de exclusão. “Primeiro expulsaram ele e 5 dias depois instauraram o processo disciplinar. Isso com um jovem que estava prestes a se formar em Medicina em uma Universidade Federal”, argumentou o advogado.
Vieira revelou que ingressou com um Mandado de Segurança na Justiça Federal assim que Cayo foi afastado do curso. Agora o advogado e o acadêmico tentam reverter na Justiça, que é a instância revisora, a decisão da UFMT.
Rigor necessário
O GC Notícias também entrou em contato com o pró-reitor da UFMT Sinop, Elton Brito Ribeiro. O responsável geral pelo campus não quis comentar diretamente o caso de Cayo, alegando que os processos disciplinares tem seus próprios responsáveis e que o procedimento obedece às normas da instituição, inclusive preservando o sigilo para proteção dos envolvidos.
O pró-reitor, no entanto, frisou a importância desses dispositivos para a proteção da comunidade acadêmica, da ordem na instituição e da segurança na formação dos profissionais, que impacta diretamente em toda sociedade. “Os alunos estão submetidos a um regime disciplinar ao longo de sua formação acadêmica. As infrações cometidas resultam em sanções. As vezes mais severas, porém, necessárias. Em 4 anos que estou na UFMT essa foi a primeira exclusão que presenciamos”, afirmou Ribeiro.
Os processos disciplinares contra acadêmicos são instaurados toda vez que uma denúncia ou comunicação é feita. A notícia chega ao departamento que direciona para a coordenadoria, que por sua vez encaminha para a corregedoria – que avalia os fatos e decide pela implantação do processo. Uma vez instaurado, uma comissão é formada, composta por um professor, um aluno e um técnico da universidade. A denúncia é apurada, as partes são ouvidas e o processo é devolvido para a corregedoria, que dá o aval final sobre a punição devida. “Cabe a universidade zelar pela qualidade dos profissionais que está formando. Processos disciplinares garantem que a instituição preserve a credibilidade junto aos demais órgãos públicos parceiros na formação”, declarou o pró-reitor.
Sobre o fato de Cayo ter sido primeiro afastado para depois responder ao processo disciplinar, Ribeiro acredita que ocorreu por ele já estar no “período de internato”, quando as aulas ocorrem apenas em regime de estágio e, portanto, basicamente atuando na profissão.
Assunto sensível
Com 17 anos de idade, após conseguir nota suficiente no Enem para cursar Medicina na UFMT, Cayo deixou a casa dos pais no interior do Ceará e se mudou para Sinop. Com a ajuda da família e bolsas da instituição morava em um espaço alugado, no Jardim Terra Rica – perto da universidade, mas longe de quase todos os seus futuros estágio. Em suas crônicas, narra as caminhadas solitárias e suas jornadas de bicicleta pela espalhada urbe do Nortão.
Na chamada “Carta de Acerto”, que Cayo direcionada à UFMT e compartilhada com a reportagem do GC Notícias, o acadêmico expõe um assunto sensível, pessoal, delicado para ser noticiado e difícil de ser ignorado. No texto Cayo afirma ser diagnosticado com Transtorno Bipolar do tipo 2 – uma doença mental crônica que causa episódios de depressão alternados com euforia. Mesmo estando rodeado por profissionais da Saúde durante os 5 anos da sua graduação, o acadêmico não considera que foi devidamente assistido. “Eu gostaria de pedir que vocês revisassem a forma como lidam com saúde mental, pois é extremamente curioso ver como um curso da área da saúde foi tão negligente e punitivo com a saúde mental fragilizada de um aluno”, escreveu Cayo.
Com 22 anos de idade na época que foi afastado da graduação, Cayo se considerava um “jovem sonhador e imaturo”, tomando decisões erradas que pareciam inocentes. “Eu sei de tudo o que eu vivi, tudo o que eu ouvi, de todas as aulas, das horas de estudo no morfo, das tutorias em que eu ia bem e das que eu não ia. No fim, eu tinha esperança de que eu teria uma vida menos precária quando me formasse, e isso me manteve firme, apesar de adoecido e eventualmente imaturo, no meu propósito de me tornar o primeiro médico da minha família. Até que isso foi tirado de mim no momento de maior vulnerabilidade e maior adoecimento”, relatou o acadêmico na carta.
Após ser expulso da universidade, o mais jovem estudante de Medicina da UFMT de Sinop voltou para a casa dos pais, em Várzea Alegre, no Ceará. Na sua cidade foi empossado como membro da Academia Varzealegrense de Letras, em dezembro de 2025. Seus poemas e crônicas garantiram a 18 cadeira daquela agremiação. Cayo ainda recebeu uma moção de aplauso da Câmara de Vereadores de Várzea Alegre no final do ano.
Em seu blog pessoal, as memórias do acadêmico no Norte de Mato Grosso foram narradas na crônica “Carta para Sinop”, que termina com a frase: “Eu desejo a você o contrário do que me fez… Com saudade e ressentimento, Cayo”.
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Para ler a Carta de Cayo na íntegra clique aqui.
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